Enfim o que somos? Uma angústia de dor,
Uma pseudo-feliz dança e um fogo-fátuo ebóreo,
Uma neve quase-fundida e um ermo flóreo,
De apreensão um palco e extinta uma vela a cor.
A vida se esvai tal conversas e rubor
E expulsa-nos desta vacilante veste óssea:
Há muito lançada no registro marmóreo
Da hecatombe, sem sentido esquecida e cor;
Assim como um sonho em vão desmoronando
Ou uma enxurrada sem obstáculo avançando
Assim nossa fama e honra e glória findará.
Num momento respirando, mas vem a nova:
Que nos sucede então? Nos lança a morte à cova
Assim como o vento a fumaça levará.
Andreas Gryphius, tradução de Antônio Jackson de Souza Brandão (in http://www.jackbran.pro.br/traducoes/traducoes_principal2.htm)
quarta-feira, 18 de março de 2009
sábado, 7 de março de 2009
Quem é você?

Quem é você
que me chega assim
tão despretenciosamente?
me arrasta para onde
não quero ir
me cheira, me beija,
me enlouquece e
entontece assim
como coruja em noite
sem luar?
Quem é você
que se arrisca a vir
me buscar
no calor do sol de verão
em meio ao mar de emoção
lançado à praia de verdes
trigais esparramados
nos prados
de cristais azuis?
Se soubesse, fugiria
para longe
às trilhas distantes
eu iria
para que nunca me encontrasse e
sentisse na eternidade de meus dias
a alegria da não-separação.
© Antônio Jackson de S. Brandão
quinta-feira, 5 de março de 2009
Dear Mr. President
Dear Mr. President
Pink
Dear Mr. President,
Come take a walk with me. (Take a walk with me)
Let's pretend we're just two people and
You're not better than me.
I'd like to ask you some questions if we can speak honestly.
What do you feel when you see all the homeless on the street?
Who do you pray for at night before you go to sleep?
What do you feel when you look in the mirror?
Are you proud?
How do you sleep while the rest of us cry?
How do you dream when a mother has no chance to say goodbye?
How do you walk with your head held high?
Can you even look me in the eye
And tell me why?
Dear Mr. President,
Were you a lonely boy? (Were you a lonely boy)
Are you a lonely boy? (Are you a lonely boy?)
How can you say
No child is left behind?
We're not dumb and we're not blind.
They're all sitting in your cells
While you pave the road to hell.
What kind of father would take his own daughter's rights away?
And what kind of father might hate his own daughter if she were gay?
I can only imagine what the first lady has to say
You've come a long way from whiskey and cocaine.
How do you sleep while the rest of us cry?
How do you dream when a mother has no chance to say goodbye?
How do you walk with your head held high?
Can you even look me in the eye?
Let me tell you 'bout hard work
Minimum wage with a baby on the way
Let me tell you 'bout hard work
Rebuilding your house after the bombs took them away
Let me tell you 'bout hard work
Building a bed out of a cardboard box
Let me tell you 'bout hard work
Hard work
Hard work
You don't know nothing 'bout hard work
Hard work
Hard work
Oh
(How do you sleep at night?)
(How do you walk with your head held high?)
Dear Mr. President,
You'd never take a walk with me.
Would you?
terça-feira, 3 de março de 2009
o corpo
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
lábios da aurora

passados amores
presentes que insistem
em se manter
escondidos no peito
por mais que as folhas tenham
caídos das árvores
que secas se enchem
e nuas
recobrem o viço...
nos lábios da aurora vejo
seus olhos
luzidos de paixão
que transbordam de irracionalidade
buscando o calor
de meus braços
abertos como
seus vales
escondidos
© Antônio Jackson de S. Brandão
domingo, 8 de fevereiro de 2009
la pantalla

una pantalla pequeña
separa el presente del pasado
oímos las músicas
que eran vivas ayer y ahora
presente de voces
vivas pero lejos de nosotros
el instante mismo vuelve a clarear
en la pantalla de nuestras vidas
sábanas abiertas que nos llevan más allá de nosotros
adónde las lágrimas se mezclan con las sonrisas de nuevos días llenos del pasado
de nuestras propias vidas
© Antônio Jackson de S. Brandão
terça-feira, 13 de janeiro de 2009

roto el papel
se rompió el papel
tan flaco estaba
sellos hermosos no lo ha mantenido
rijo en el cajón
guardado bajo llaves de pura
ilusión
¿pero qué ha pasado?
las trazas del celo
empezaran la cena
el polvo de la ingratitud se aspergió
cubriéndolo todo
el estallido de la botija
derrumbó el agua
que lo subrayó
fue por el tiempo llevado
© Antônio Jackson de S. Brandão
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
¡es mi dicha!

¡es mi dicha!
no me digas lo que tengo que hacer
ya lo tengo dicho
¡es mi dicha!
las palabras sueltas
no serán reconocidas más
cambiarás su contenido
ayer era
no lo es hoy…
¿qué pasa en tu cabeza
para procederes así?
intentar lograr lo que no es
¿a partir de tu verdad?
conocer el poder de las palabras
la verdad oscura
en nieblas de soledad
¡es mi dicha!
© Antônio Jackson de S. Brandão
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
¡grita poeta!

¡grita poeta!
tu voz es la voz de los sin voz
tu pena es el mísil
de los niños que sólo conocen lágrimas
callados y sin nuevas esperanzas
de mejores días
¡grita poeta!
tu sonido es mudo
pero atinge a los no sordos
no hay verdades para los todopoderosos:
(¿hay un Dios?
si hay es de Él este título
no de ése o aquél)
miran en su fuerza
el destino lejos de sí mismos
¡grita poeta!
del lógos habrá nueva vida
la luz surgirá
envuelta en alegrías nuevas
Dios no pertenece a un pueblo sólo:
eres tu nuevo profeta:
¡grita poeta!
© Antônio Jackson de S. Brandão
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
por que vocês não nasceram do lado de lá?

por que vocês não nasceram do lado de lá?
por que vocês não nasceram
do lado de lá da fronteira, crianças?
não queremos atingi-las
mas também não podemos fazer nada:
temos de atingi-los!
se vocês tivessem nascido no lado
de lá, poderiam brincar
poderiam viver,
poderiam crescer!
mas não, nasceram do lado de cá,
por isso não podem sorrir,
temos de alimentar o ódio que
vão sentir por nós
para que nossa sede de vingança
possa alimentar nossos jorros de destruição
por que vocês não nasceram
do lado de lá da fronteira, crianças?
agora vocês são um efeito colateral:
não queremos atingi-las
mas também não podemos fazer nada:
temos de atingi-los!
se tivessem nascido no lado
de lá, poderiam sonhar,
poderiam rezar,
poderiam estudar!
mas não, nasceram do lado de cá,
por isso não podem se preparar para o futuro:
ele não vai chegar!
© Antônio Jackson de S. Brandão
quiero enquadrar mis pensamientos

quiero enquadrar mis pensamientos
quiero encuadrar mis pensamientos
seres volantes que no
aceptan quedarse atados
quiero encuadrar mis pensamientos
pues mi ser les envidia:
vive preso a la tierra maravillosa de
nuestros padres
encuadrar para mejor mirar después
poder comprender todo
que me quieren decir y no les oigo…
quiero encuadrar mis pensamientos
y sentirme todo como la lluvia mojando
mis cabellos escurriendo por mi cuello
llegando hasta mis pies
quiero encuadrar mis pensamientos
para tenerlos en la pared
del no olvido
© Antônio Jackson de S. Brandão
sábado, 3 de janeiro de 2009
casas vacías
casas vazias

casas vazias
casas despregadas
de seus muros
pedem socorro em meio
a gritos de dor ardentes
casas que nada são mais
além de sonhos
de outros verões
que não
tornam mais
casas que de abrigo
viraram covas
de conforto,
lodo
de lágrimas secas
São Paulo, 9/8/2006
© Antônio Jackson de S. Brandão
(Foto de Rahim Khatib-01.jan.2009/Efe)
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Espelho

Que podemos ver através dele?
Talvez nós próprios
não sei exatamente.
E a música toca no rádio...
Quero me ver,
Talvez me
Conhecer melhor...
Quem eu sou?
Agora mesmo acabei de me
Perguntar.
Nenhuma resposta,
Resposta alguma...
E a música sempre tocando
Preciso me procurar lá dentro.
Que encontro eu lá?
Mas não sou assim
tão criativo,
por isso não posso
me encontrar lá dentro.
A distância é a mesma
Mas eu não posso me tocar...
Sensação estranha!
Eu não posso me
tocar.
Frio!
Sou inverno agora
E eu nevo...
Sou verdadeira neve.
Por quê?
Porque me esqueço das árvores
Nunca as procuro,
mas há uma árvore
atrás de mim...
Eu nunca a notei
e ela sempre esteve lá...
Pela primeira vez pude
vê-la
e de repente descubro a mim
mesmo: maravilha!
Corro a um bar.
Duas cervejas...
Encontro uma amiga.
A música
Sempre tocando: música italiana!
Dançamos.
Eu não sou tão criativo,
Por isso
me represento a mim mesmo...
© Antônio Jackson de S. Brandão
domingo, 21 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
no hubo tiempo

no hubo tiempo
¡las puertas se cerraron!
no hay explicación
para las pérdidas
quizás consuelo
palabras sueltas
tentativas vanas de borrar
el hecho
inolvidable
pero, ¿quién quiere olvidar?
el olvido mancha
las luchas pasadas
recordar no es perder
la misma batalla
pero se preparar para la siguiente
© Antônio Jackson de S. Brandão
domingo, 16 de novembro de 2008
Gritar no es posible
Gritar no es posible
Llorar también no es posible
(Pero, ¿por qué llorar se las lágrimas
Secan antes del día amanecer?)
Las canciones se perdieron
En los cajones de nuestras memorias
No hay más espacio para
Los juegos de ayer…
¿Dónde se fueran?
Caminando nos vamos adonde
La calle nos llevar
Vacía, casas vacías, personas vacías:
No, gritar no es posible
No hay nadie
© Antônio Jackson de Souza Brandão
Llorar también no es posible
(Pero, ¿por qué llorar se las lágrimas
Secan antes del día amanecer?)
Las canciones se perdieron
En los cajones de nuestras memorias
No hay más espacio para
Los juegos de ayer…
¿Dónde se fueran?
Caminando nos vamos adonde
La calle nos llevar
Vacía, casas vacías, personas vacías:
No, gritar no es posible
No hay nadie
© Antônio Jackson de Souza Brandão
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Pai-nosso dos mártires
no quieren callarse
no hay tiempo a perder
las veredas ya están abiertas
los surcos de los campos
quieren ser sembrados
el sol se hace presente
y la lluvia no tardará
pero, las manos lejos
de los arados
llevan el fuego de la muerte
bajo el hierro
de las armas
que no quieren callarse
© Antônio Jackson de S. Brandão
terça-feira, 28 de outubro de 2008
a laranja amarelou

havia tantos sonhos
via os campos floridos
animais fantásticos e águas límpidas
de marrom passeava Francisco
pequenininho gigante
andava só
buscava pedras para amolecer
algum coração de marfim
me buscava atrás dos montes
cobertos de neve
ia a ele, mas nunca chegava
cada vez mais longe
mais branca minha cabeça
se tornava:
veio o sol e esmaeceu a neve
de lama meus pés se encharcaram
meus passos que chegavam longe
diminuiram o ritmo
cada vez mais longe via Francisco
que me acenava:
o menino se foi
a laranja amarelou e caiu do pé
© Antônio Jackson de S. Brandão
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Amigos

Hola, amigo
¿Dónde estabas?
La fiesta acabó
Pero no has venido...
Te querías cerca
Lejos de mi soledad
Un abrazo
Una palabra sólo
Vasos que no sirvieron
Tapas que no fueron
Comidos
Desde la ventana miraba
Las luces de los coches:
No estabas allí
¿Dónde estabas amigo?
Las cervezas calentaron
También tenía el té
De la tarde
Sólo para ti
Pero no apareciste…
En el otro día
Diré que no me lo importaba:
Es mentira
Lloré y me fue acostar
© Antônio Jackson de S. Brandão

