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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Lágrimas da Pátria - Ano 1636

Inteiros ainda estamos, no entanto roídos!
Da gente insolente a trombeta arrebatada,
O canhão estridente, a espada ensangüentada;
O esforço e o estoque e o suor foram destruídos!

As torres flamejam; os templos revolvidos;
A prefeitura, pó; as forças lancinadas;
E para onde olharmos há virgens violentadas,
Fogo, peste, morte, coração e alma partidos.

Sempre aqui escorre sangue entre o fosso e a cidade.
Três vezes seis anos: nossos rios com esforço,
Obstruídos de corpos lentos escorriam...

Porém silencio: foi pois pior que a morte,
Que a ferocidade do fogo, fome e peste
E até o tesouro espiritual extorquiram.

Andreas Gryphius,Trad. Antônio Jackson de Souza Brandão

sábado, 10 de março de 2007

Miséria humana

Enfim o que somos? Uma angústia de dor,
Uma pseudo-feliz dança e um fogo-fátuo ebóreo,
Uma neve quase-fundida e um ermo flóreo,
De apreensão um palco e extinta uma vela a cor.

A vida se esvai tal conversas e rubor
E expulsa-nos desta vacilante veste óssea:
Há muito lançada no registro marmóreo
Da hecatombe, sem sentido esquecida e cor;

Assim como um sonho em vão desmoronando
Ou uma enxurrada sem obstáculo avançando
Assim nossa fama e honra e glória findará.

Num momento respirando, mas vem a nova:
Que nos sucede então? Nos lança a morte à cova
Assim como o vento a fumaça levará.

Andreas Gryphius, Trad. Antônio Jackson de S. Brandão