sábado, 29 de outubro de 2011

Forró na rua


O forró toca no rádio,
as portas escancaradas
dão às muriçocas espaço
para que sedentas procurem
sua vítimas

a lua cheia chama
a atenção: quer brilhar na noite!
Os casais estão na rua
abraçados,
corpos colados, corações dispersos
vampiros de novas emoções

a brisa balança
as árvores suavemente
suas folhas caem no chão
de nossa mente

o suor escorre,
as nuvens da lua se enamoram
ela nem se importa
majestosa que é

O forró correndo solto,
a poeira que se alevanta
os perfumes se encontram, se misturam
inebriando o salão:
ah que calor!

o tesão sobe aos ares,
chega à lua
que o invejando se deixa
enamorar...

nesse enleio uma fina garoa
cai: resultado do amor...
que prazer!
mas não se deixam levar
O forró contamina as ruas:
janelas se abrem,
as estrelas sorriem
brilhando por entre as nuvens
enamoradas da lua...

muriçocas também fazem
sua própria festa:
sugam sangue
até encherem a pança...
levam porrada
e vão felizes e satisfeitas
ao muricitério

Parnaíba/PI, 17/1/1995

© Antônio Jackson de S. Brandão

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Suor




Lusco-fusco: tarde...
mais tarde gente que acorre
e busca
novos momentos
sentimentos não sensíveis

o corpo pede alegria
sentimentos não sentidos:
vazios?
não, repletos de sensações!

Fluídos novos pedem para correr além das veias
repletas de calor
que escorre pela fronte
transborda de nossos poros
inunda nossos
corpos na busca de prazer!

Troca de fluídos
não sem sexo e sem nexo:
misturar apenas calor
e desse palor
voar de pés no chão no baile
próximo às corujas
vazias e repletas de prazer

Registro, 25/10/2011

© Antônio Jackson de S. Brandão

domingo, 23 de outubro de 2011

Lluvia, miradas, cuerpos, bocas


empieza a caer lluvia
miradas furtivas en la calle
manos se capturan
cuerpos mojados, translucidos rasgos
velados guardados que se ve ahora
descubiertos que excitan mis sentidos
boca carnuda sedienta de amor
promueve en mi volupia desenfrenada
vamos más allá de robo un beso mojado
el frío del agua disminuye nuestro calor
la lluvia en nosotros empieza

©Antônio Jackson de S. Brandão

Boca vermelha


Sob a luz pálida
Numa noite de outono
Quero ver a menina
que embala
outros sonhos...

Porém, ao vê-la,
assim com sua boca
vermelha,
que nem vermelha é,
sinto-me atado:
calo-me...

Falar ? Porque deveria...
Lá fora,
outras luzes cintilam,
outros caminhos,
outros mundos...

Mas o mundo
está entre quatro paredes
e os olhos
estão abertos,
bem abertos à espera.
De quê ?
Não sei.

© Antônio Jackson de S. Brandão

o corpo



me toma todo
o corpo em todo seu frenesi
o leve ao chão
o derrube
corre por ele
lágrimas de prazer
se derramam no tapete
sonhe em me ter todo
o pegue sem medo de
gritar de encanto
teu cabelo molhado
e o meu suor:
um nada mais
até a barriga não suportar
e a boca estar repleta

© Jack Brandão